Coletânea das homenagens ao falecido escritor Wills Leal - Brasileiros Sem Fronteiras

Coletânea das homenagens ao falecido escritor Wills Leal

Homenagens feitas através do Facebook:

Marco Di Aurélio https://www.facebook.com/marcodiaurelio

 

Wills Leal e José Bezerra Filho https://www.facebook.com/josebezerra.filho.3

 

Wills Leal e Mércia Mel Figueiredo https://www.facebook.com/merciaapelidiomel.figueiredo

 

Ednamay Cirilo Leite https://www.facebook.com/ednamay.c.leite

 

Jocelino Tomaz de Lima https://www.facebook.com/jocelino.tomazdelima

 

Waldemar José Solha https://www.facebook.com/waldemarjose.solha.5

acabo de ter um susto – que não costumo ter: perdemos WILLS LEAL!

-Por Waldemar José Solha

Um susto igual, mas feliz, ele me deu em 2007, no dia em que entrei na Livraria do Luiz e dei com a caixa contendo dois volumes em capa dura, total de 616 páginas em papel cuchê, 579 ilustrações, do seu monumental “Cinema Na Paraíba, Cinema Da Paraíba”, – num belo trabalho gráfico da Santa Marta. Flávio Tavares já me havia dito, quando gravávamos nossas homenagens aos oitenta anos de Ariano, na então TV O Norte: “A obra é im-pres-si-o-nan- te!”.

O peso que levei pra casa me pôs a alma leve. A paixão de Wills pelo cinema e pela Paraíba eu já a conhecia por vários de seus livros e pelo mural com homenagens a cinco cineastas paraibanos, que eu e mais cinco pintores fizemos em sua casa, em 95, pelo centenário da primeira projeção cinematográfica dos irmãos Lumière. Mas esse seu último e imenso livro é amor puro. Pelo desvelo visível em cada texto e pela rica iconografia. Marcou-me até a tristeza de Wills, quando o parabenizei pela proeza: “Ôh, Solha, infelizmente não tive tempo de fazer uma revisão mais acurada, pressionado pela data obrigatória do lançamento, que foi a do Cineport”.

Grande Wills, todos os que se envolvem, de um modo ou de outro, com nossa cultura, terão, ao conhecer esse seu trabalho de Hércules, emoções como as que tive, sem ligar pra tais detalhes. A foto do Walfredo Rodrigues, nosso primeiro cineasta, por exemplo, a do Cine Lux, fechado na mesma época em que também cerravam as portas o “Cinema Paradiso” – de Tornatore, e o “Splendor” – de Scolla. Era nele que eu, Zé Bezerra, Linduarte e Manoel Clemente víamos os copiões do “Salário da Morte”, cerca de quinze dias depois que as cenas eram rodadas. De Patos se vê o Cine Eldorado, cujo apito de navio eu tantas vezes ouvi do hotel onde morei em 62, sinal de que a sessão ia começar. De João Pessoa rememoram-se as salas que frequentei, ao chegar aqui, em 70, louco pra ver tudo: Brasil, Rex, Santo Antonio, Plaza e Municipal. Lá está o velho cinema que é personagem principal de um romance delicioso, do Zé Bezerra – “A Paixão Segundo o Metrópole”. E eis Walter Carvalho com Saramago e Wim Wenders, nas filmagens de seu belo “Janela da Alma”, no mesmo ano em que fotografou “A Canga”, do Marcus Vilar, feito a partir de meu livro homônimo.

E eis o Bertrand Lira erguendo seu troféu no Japão, pelo documentário “Bom Dia, Maria de Nazaré”. E eis o cartaz de “O Homem de Areia”, de Vladimir Carvalho, onde eu, Gonzaga Rodrigues, Adalberto Barreto e Nathanael Alves entrevistamos Zé Américo. E lá está o Alberto Lucena Jr., que conheci como artista plástico genial, agora autor de um livro brilhante – “A Arte da Animação”. Lá está o Durval Leal, diretor de produção de “A Canga” – no qual fui agricultor paupérrimo – e do longa cearense “Lua Cambará” – no qual fui latifundiário! Lá estão nossos imensos Zé Dumont, Marcélia Cartaxo, Zezita Matos, Everaldo Pontes, Servílio de Holanda, Soya Lira, Verônica Cavalcante, Luiz Carlos Vasconcelos e Fernando Teixeira!

E quando Wills fala de “Cinema Espiritual”, lembro-me de Juarez da Gama Batista (que me lembrava Fred Astaire) me perguntando ( ainda nos anos 60 ) se eu aceitaria o papel de Mr. White em seu filme – jamais realizado – baseado em “O Boqueirão”, do Zé Américo. E isso me lembra Vânia Perazzo – também no livro – vetando minha participação em seu elenco, alegando que eu era inglês demais para seu filme. E lá está Marcus Vilar novamente, devidamente homenageado com uma cena de “O Senhor do Castelo” na capa de um dos volumes. Eis também Torquato Joel, para cujo premiadíssimo “Passadouro” fiz o storyboard. E eis o mineiro Paulo Thiago, para o qual trabalhei como ator em “Soledade”, adaptado de “A Bagaceira”.

Eis algumas cenas de “Fogo Morto”, de Marcos Farias, para o qual fiz o papel do Tenente Maurício. Eis Dowling – para quem trabalhei num projeto em cima do exótico Georges Perec. Eis Pedro Santos – autor da excelente trilha sonora de “O Salário da Morte”. Eis Manoel Clemente – responsável pelo notável branco e preto desse nosso filme de 1970. Eis Jurandy Moura, nosso assistente de direção, de quem guardo uma última lembrança: chorando pela morte de Clarice Lispector. Eis o Rucker Vieira, pernambucano, celebrado diretor de fotografia de “Aruanda” que “fuzilou”, “calibrado”, um documentário meu sobre o antigo matadouro de Pombal, rodado na noite anterior à sua demolição.
Treze anos se passaram do lançamento desse maravilhoso catatau – “Cinema na Paraíba, Cinema da Paraíba”. Muita coisa rolou, de lá para cá, no Estado, inclusive no interior, mas esse monumento…ficou.

Homenagens feitas através de Blogs:

 

Francisco Gil Messias https://www.carlosromero.com.br/2020/05/wills-um-homem-em-movimento.html

Um homem em movimento

Francisco Gil Messias (cronista e ex-procurador-geral da UFPB)

A definição é de Wilson Marinho: Wills Leal foi um homem em movimento. E mais certo Wilson não poderia estar. Com efeito, Wills, que agora nos deixou, foi mesmo alguém em eterno movimento, no bom sentido de permanentemente inquieto, permanentemente criativo, permanentemente se deslocando, até sem sair do lugar, apenas com o pensamento em constante ebulição, sempre a serviço da cultura paraibana, em várias de suas expressões. O professor Damião, em bela crônica de “A União” chamou-o corretamente de “o imortal caminhante”, ressaltando, como Wilson, o homem que não podia parar, como de fato não parou até o finzinho da caminhada, quando o isolamento imposto pelo vírus reteve-o solitariamente entre os livros e filmes amados, os quais, por problemas na visão, já não acessava facilmente.

 

Wills vanguardista, moderno, pós-moderno, agora eterno (como Drummond)Do ponto de vista médico, Wills morreu de parada cardiorrespiratória, dizem as notícias publicadas. Mas penso que todos concordarão com a tese de que ele deve ter morrido mesmo foi de angústia e de tédio, por não poder mais fazer o que gostava, por não poder mais se movimentar física e criativamente, por não poder mais agitar, como sempre agitou, a paisagem cultural da província, enfim, tudo o que lhe dava prazer e era, afinal, sua razão de viver. Freud distinguiu muito bem Eros (pulsão de vida) e Tânatos (pulsão de morte), as duas forças preponderantes da humana existência, uma sempre querendo subjugar a outra, em eterno duelo que um dia termina com a inevitável e derradeira vitória de Tânatos, como não poderia deixar de ser, finitos que somos. Pois bem. Como acontece com quase todos, no Wills dos últimos dias certamente Tânatos tomou o lugar de Eros, motivo de seu “tchau” repentino, do “The end” concluindo o filme de sua vida frutífera e buliçosa.

 

Wills LealWills LealRetomando a feliz definição de Wilson Marinho, pode-se dizer que Wills morreu porque parou, ele que esteve sempre em ação, vivaz, corpo e mente sempre em marcha criadora, o oposto da apatia, da falta de tesão, do borocoxô. Wills que sempre tinha um projeto, uma ideia, uma proposição, verdadeira usina de iniciativas, que sozinho era uma autarquia ambulante, valendo por muitos, múltiplo que era – e sempre foi. Wills vanguardista, moderno, pós-moderno, agora eterno (como Drummond).

 

Morre-se de amor, morre-se de tristeza e morre-se de tédio, de não se fazer nada. Willis morreu certamente de inação forçada, verdadeiro castigo para os hiperativos.

 

Vai fazer imensa falta na aldeia pobrezinha por natureza e talvez por destino e praga. Fez diferença – para melhor – enquanto viveu. Não é pouca coisa, para quem dispôs tão só do talento, esse já célebre talento que, ainda segundo Wilson, adquire-se bebendo a água benfazeja de Alagoa Nova.

 

Obrigado, Willis, por tudo e mais alguma coisa. Vai agora agitar o Olimpo, para delícia dos deuses enfastiados.

 

Francisco Gil Messias é cronista e ex-procurador-geral da UFPB

 

 

 

 

Por Jãmarri Nogueira – https://blog.portalt5.com.br/clapeclapeclape/2020/05/07/luto-no-cinema-morre-o-critico-jornalista-e-escritor-paraibano-wills-leal/

 

Tags: nota de pesar,

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